tudo que você toca você muda tudo que você muda muda você 

all that you touch you change all that you change changes you

Instalação realizada em residência comissionada pelo British Council e pelo Creative Scotland dentro do programa Corpos Abertos (Open Bodies Residency), concebido em conjunto pela Despina e The Fruitmarket Gallery. Mais informações, por aqui.

Texto crítico, por Guilherme Altmayer*

(...) Nesta residência na Despina, o artista amplia seu campo de investigação, a partir da Gordura Trans (e para além dela), para experimentar o encontro de substâncias, em processos químicos, para a materialização de vestígios para além de seu corpo, porém dele indissociável. Utilizando como base muitos litros de óleo de cozinha de reuso, soda cáustica e água, o artista produz sabão, em grandes quantidades. Nosso senso comum nos faz pensar o sabão como símbolo de limpeza, de higienização. Porém, é com este sabão que o artista invade o espaço expositivo para manchar, sujar e se alastrar pelo cubo branco a partir de uma de suas esquinas. Uma mancha que remete à cor da pele, representativa de muitos tons. Peles que habitam corpos diversos, que provocam repensar discursos binários e higienizantes, borrando fronteiras (e esquinas) e abrindo fendas que dão a ver múltiplos outros lugares possíveis de estar no mundo.

 

* O curador e pesquisador Guilherme Altmayer acompanhou Miro Spinelli durante a sua residência na Despina.

Installation created during a residence commissioned by the British Council and Creative Scotland under the Open Bodies Residency program, designed jointly by Despina and The Fruitmarket Gallery. More information here.

Curatorial statement by Guilherme Altmayer

(...) In the Open Bodies residency at Despina, Spinelli broadened his field of investigation from the Gordura Trans series to explore substances changing in chemical reaction, and made traces beyond, but still inseparable from, his body. Using as a base many litres of recycled cooking oil, caustic soda and water, he produced soap in large quantities. Common sense makes us think of soap as a symbol of cleanliness and hygiene. However, here with soap the artist invades the gallery space to spoil, a stain soiling the white cube in a spread from one of its corners. The stain makes reference to the color of skin, visually presenting many different shades. These are imagined skins that live as part of diverse bodies, which provoke a rethink of polarising description, they blur categories (as well as corners), and open up cracks onto many other places that there might be to situate oneself in the world.